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23 de novembro de 2010

CURSO LITURGIA E SÍMBOLO - Parte II


1.         O CULTO NA LITURGIA CRISTÃ

    É inegável a forte relação do culto cristão, inaugurado com a Nova Aliança iniciada e cumprida por Jesus, e sua origem na tradição judaica bíblica e extra-bíblica, e não apenas porque Ele é intitulado “Messias” e “Filho de Deus”, mas também porque, como o “verbo feito carne” ( Jo 1), oferecerá toda a sua vida como um sacrifício de entrega amorosa de louvor ao Pai no Espírito Santo, a obra privada e pública por excelência. A celebração do Mistério Pascal, portanto, é uma das noções que nos fazem compreender o que seja a liturgia cristã: “A celebração da Missa, como ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local e também para cada um dos fiéis. Nela se encontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, como o do culto que os homens oferecem ao Pai, adorando-o pelo Cristo, Filho de Deus, no Espírito Santo”[1]       
                                                                          
            No Novo Testamento, a liturgia, com exceção de At 13,2, terá como equivalente principal o termo “culto”, não só pela relação intrínseca e aproximativa com o culto dos levitas, como vimos – ao menos para a primeira geração de cristãos – mas também no processo de identificação dos mesmos que, conformando-se aos ensinamentos de Jesus, e aderindo sempre mais as exigências da pregação evangélica e a composição das primeiras comunidades (não mais aquela centralidade no Templo de Jerusalém), são os preconizam o “novo culto em espírito e em verdade”.

Dada a correspondência entre fé e expressão cúltica, podemos afirmar que a liturgia cristã se distingue da judaica à mesma medida que o cristianismo se diferencia do judaísmo (...) Isso se evidencia na utilização deliberada de tempos e espaços não-sagrados para as celebrações [ o domingo como dies Domini é uma das novidades do cristianismo] próprias da assembléia cristã e sobretudo, no uso especial e na aplicação de um vocabulário de culto.[2]


[1] Instrução Geral do Missal Romano, p.37.
[2] Dionisio BOROBIO (org), A celebração da Igreja, liturgia e sacramentologia fundamental, p.45.

Um comentário:

Frater Henrique Maria,sjs disse...

Caríssimo, Parabéns pelo blog, tá muito bonito!!! ;)